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O Mosteiro Secreto
A cena se passa em Nottingham, no ano de 1954.
Cena Única
Um mosteiro obscuro, escuro e com uma atmosfera de mistério e segredo. Há três monges conversando entre si. Um deles se chama Addison, um rapaz de pele branca, olhos verdes e alto. Outro deles se chama Aldan e o terceiro se chama Aldric .
Aldric- Você tem certeza, Addison, que nosso mosteiro continua totalmente secreto?
Addison- Tenho plena certeza, meu amigo. Nosso mosteiro não é conhecido por ninguém.
Aldan- Já não é conhecido desde sua fundação nos anos de 1930.
Aldric- Mas estou totalmente preocupado que ele possa ser descoberto.
Addison- Acho bem improvável. Estamos em um lugar distante da cidade e ninguém vem por esse lugar.
Aldric- Sabe, eu não acho que vamos passar muito tempo mais encobertos.
Addison- Por que acha isso?
Aldric- Porque lugares nunca ficam escondidos. Sempre são descobertos.
Aldan- Não esse. E se for descoberto, podemos dizer que não é um mosteiro que se dedica as artes da magia e bruxaria.
Aldric- Não podemos dizer isso. Tudo aqui prova o contrário. Os livros que temos, os símbolos que fizemos nas salas, as pessoas que estão aqui.
Addison- Tem razão. Já pensei que deveríamos nos mudar para um lugar bem menos conhecido.
Aldric- Não podemos fazer isso também. Este lugar tem a energia correta para fazermos nossos rituais.
Aldan- Sempre podemos achar um lugar correto, Aldric.
Aldric- Não sei se conseguiria me acostumar a outro lugar que não Nottingham. Aqui parece ser a melhor cidade da Inglaterra.
Addison- E de fato é. Mas podemos nos mudar se nossa segurança assim o desejar.
Aldan- Outro lugar seria realmente uma boa ideia. Este lugar para mim é pequeno e pouco aconchegante.
Aldric- Preciso parar de pensar que vamos ser descobertos. Eu estou ficando paranóico com isso.
Addison- Claro, quantos padres e monges realmente se dedicam a bruxaria dentro da Igreja Católica?
Aldric- Já quis parar de fazer tudo isso, mas sei que não consigo.
Aldan- É realmente viciante, não?
Aldric- Sim, não tem como parar.
Um monge entra e fala no ouvido de Aldric.
Aldric- Temos que ir. Precisamos fazer o nosso ritual do dia.
Aldan- Ótimo. Já estava sentindo falta de um bom ritual.
Aldric, Aldan e Addison saem pela direita. Ouvimos os pássaros cantando. O pano desce lentamente.
Fim
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Poeta
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O Médico Inexperiente
A cena se passa em São Paulo. Data: 1991.
Cena Única
Um consultório bem arrumado com um esqueleto do lado esquerdo da mesa do médico. Três médicos chamados Aurélio, Athos e Ary estão conversando distraidamente.
Aurélio- Eu me sinto tão inexperiente na carreira de médico, meus amigos.
Athos- Mas você já tem quase dez anos, Aurélio. Não deveria se sentir inexperiente com todo esse tempo de serviço.
Aurélio- Mas é uma insegurança interna, sabe. Eu estou sempre lendo alguma coisa que deveria saber de cor.
Ary- Mas isso todo médico faz.
Aurélio- Mas eu faço a cada dez minutos. É chato até.
Athos- Talvez seja apenas uma fase que você está passando.
Ary- Ou está se cobrando demais uma perfeição que sabe que não existe.
Aurélio- Talvez. Eu não sei. Eu sei que eu sou um médico inexperiente.
Ary e Athos se entreolham como que dizendo: Devemos realmente responder isso?
Ary- Sabe, eu acho que a cada dia a medicina se reinventa. Então podemos ser considerados cada um de nós: Médicos inexperientes.
Aurélio- Acha mesmo isso?
Ary- Com certeza.(Olhar de ajuda para Athos).
Athos- Sim, eu também acho isso, Aurélio.
Aurélio- Vocês são ótimos amigos. Estão sempre me deixando animado e confiante comigo mesmo.
Ary- Sabemos como é se sentir inseguro com o que se faz.
Athos- Sim, realmente sabemos.
Aurélio- Eu sou assim apenas com minha profissão.
Athos- Mas a profissão é o aspecto principal de nossas vidas. Eu creio, quero crer, que mais um ou dois anos, e você perde totalmente essa insegurança.
Ary- Sim, nós...
Neste momento ouvimos uma voz chamando os doutores Ary, Aurélio e Athos para se apresentarem na enfermaria principal.
Athos- Vamos ao trabalho, meu caro doutor Aurélio, é praticando que você realmente vai perder essa insegurança.
Athos, Ary e Aurélio saem do consultório. Ouvimos barulho de choro ao longe. O pano desce rapidamente.
Fim
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Poeta
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A Morte de Beethoven
Curta-Metragem I
Fade in:
Créditos iniciais
Os créditos mostram diversos momentos na vida de Beethoven. Da infância à velhice. A Nona Sinfonia toca enquanto essas cenas são mostradas.
Cena 1. Casa de Beethoven em Viena. Int. Noite
Letreiro: 23 de Março de 1827
Beethoven está sentado em uma mesa. Há um garrafa de vinho tomada pela metade e uma taça de vinho vazia. Beethoven está compondo. Vemos o lugar totalmente caótico, como ele sempre preferiu.
Corta para:
Cena 2. Casa de Beethoven em Viena. Int.Noite
Passaram-se três dias. É o dia da morte de Beethoven. Dia 26 de março de 1827. Beethoven está deitado a uma cama. Perto da cama estão Schuppnzigh, Diabelli, Schindler, Lichnowsy, ferdinand Hiller.
Schuppanzigh- Acalme, herr maestro. Logo o senhor estará caminhando por essa cabeça novamente compondo mais belas músicas de seu repertório.
Beethoven(Fraco)- Não tenho tanta certeza.
Diabelli- Sim, meu amigo, você estará diante de multidões tocando como nunca antes.
Beethoven(sorriso fraco)- Não, eu estou indo para junto de Nosso Deus. Eu sei disso(Beethoven respira com dificuldade).
Schindler- Maestro, por favor, não fique com medo. Você sairá dessas como já saiu de outras.
Beethoven- Não seja estúpido, Schindler, eu sei que estou morrendo.
Lichnowsky- Se morreres, meu amigo, a música ficará orfã por muitos séculos.
Beethoven- Outros virão que terão mais paciência com o gosto estranho dos vienenses e alemães. Eu tenho certeza que eu com meu jeito rude serei esquecido.
Diabelli- Em absoluto, maestro! Vossa música é a melhor de toda a Europa.
Beethoven- Foi. Não é mais. Eu me conformo em passar para a posteridade como um músico brilhante, mas que perdeu seu maior dom: A audição.
Hiller- Talvez, maestro, isso foi necessário para que você se esforçasse ainda mais para se tornar o que tu és hoje.
Beethoven- Sim, Hiller, eu realmente acho que o Todo Poderoso colocou essa surdez em mim como uma alavanca para o meu sucesso.
Schindler- Mestre, se precisa de algo, é só nos dizer, que faremos.
Beethoven- Não quero nada. Eu pretendo apenas fruir esses últimos momentos que estou vivo.
Vemos os amigos de Beethoven preocupados e não querendo chorar.
Corta para:
Cena 3. Arredores de Viena. Ext. Noite
Vemos que começa a trovejar e chover uma chuva fina. Há poucas pessoas na rua.
Cena 4. Casa de Beethoven.Quarto: Duas horas depois.Ext. Noite
Vemos Beethoven começar a exalar seus últimos suspiros.
Beethoven- A comédia acabou.
Beethoven morre diante dos olhares dos amigos, que já começam a chorar.
Corta para:
Centro de Viena. Ext. Dia
O caixão de Beethoven é acompanhado por um grande número de pessoas.
Corta para:
Cemitério Währing. Ext. Dia
Vemos o caixão de Beethoven sendo baixado à sepultura e algumas pessoas acompanham. Uma delas é seu fiel discípulo Anton Schindler.
Schindler- Não te esquecerei, maestro, e não deixarei que sua obra seja atacada por filisteus nojentos.
Schindler começa a se afastar do cemitério. Ele entra em uma carruagem e se distancia do cemitério. Ouvimos barulho de pessoas no cemitério.
Créditos Finais
Fim
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Poeta
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Como empezar ,mi vida ha sido difícil, pero tuve momentos felices si hoy me preguntas soy feliz ,? Te puedo decir que he conocido ese estado, lo puedo describir como volar descalzo sintiendo la suave brisa en mi tibia piel ..que nada me sostenía ,nada me alcanzaba .. pero eso fue un error, porque la felicidad en mi corazón tenia un nombre y jamas tendría que haberte entregado a ella y hoy que no estas te llevaste mi felicidad y muchas cosas más. Rompiste mi alma en mil pedazos ,los que aún sigo hasta hoy recogiendo .. porque ya no se si seré yo ... duele la cicatriz, duele el recuerdo y la rabia del miedo me supera.. Pienso en cambiar todo pero la vida me vuelve a la realidad ...si quiero ir necesito a mi alma es mi todo pero ya no existe solo su pedazos ... el tiempo ha pasado pero esto sigue intacto , el amor tuvo un sabor tan dulce que hoy tengo náuseas de recordarlo Puedes pensar que soy yo quien debe salir pero, es que sin mi alma no puedo ,, te pregunto vida: Como una persona puede cambiar tu vida al punto de hacerte tan feliz volando por donde quieras soñado en los aires y luego hacerte caer al piso rompiéndose hasta el alma?... Puedo tenerlo ser exitosa en lo tangible ,puede decir en este mundo sobra amor pero, solo uno me falta el que quería conmigo ... Que amor tan errado, que amor tan incierto ... que destino desafortunado... si existe un hilo invisible que me une a ti ...quiero cortarlo hoy mismo..y si mis fuerzas no son suficientes DIOS CORTALO POR FAVOR ...liberame de este amor que solo me arrastra a una cárcel donde soy presa de mis recuerdos, del dolor,de lo insano, del fracaso y la miseria de no ser valorada...
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Poeta
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[size=x-large]Luzes no Campo
A cena se passa no Peru, em 1965.
Cena Única
Uma casa no campo. Vemos uma porta que dá para a varanda, e um cõmodo médio onde um homem está ouvindo rádio. Perto dele há um rapaz de 14 anos.
Alessandro- Veja, Alonso. O Brasil realmente não volta mais à democracia. Já escolheram o presidente, Médici. Realmente nossos amigos terão que lutar para acabar com esse fascismo.
Alonso- Pobres brasileiros, mas isso está se tornando moda aqui no continente. Muitos ditadores, mais leis, e pouca liberdade.
Alessandro- Isso é verdade, mas nosso continente tem fama e história de lutar pela liberdade. Vai haver muita luta.
Alonso- E muito derramamento de sangue, com certeza.
Alessandro- E pensar que u ia morar lá o ano passado.
Alonso- Eu estive lá em 1962. Uma terra incrível.
Alessandro- Sem dúvidas, mas que agora passará por maus bocados. Minha mãe morou lá por quinze anos antes de me ter.
Alonso- Na época de Getúlio, então.
Alessandro- Não, acho que foi em 1920... Foi numa época em que houve uma revolução em SP.
Alonso- Ah, em 1924!
Alessandro( contente por fazê-lo lembrar)- Sim, isto mesmo. Ela me contava histórias sempre daquea época.
Alonso- Devem ser bem interessantes e realmente valer a pena parar para ouvir.
Alessandro- Sim, é por isso que minha década favorita é a década de 1920.
Alonso- Os anos loucos foram incríveis, mas sabemos como acabou. E sabemos o que trouxe para o mundo após.
Alessandro- Nem gosto de me lembrar o que veio depois. Mas me diga, está gostando de ficar aqui?
Alonso- Um pouco. Não estou acostumado à vida no campo.
Alessandro- Bom, ficará aqui quase quinze dias, já se passou sete, mais oito dias apenas...
Alonso- Não sei como você se acostuma a morar aqui sozinho. Não tem medo?
Alessandro- Não, para quem viveu o que eu vivi, morar sozinho não é nada.
Alonso- O bom é que não há muitos vizinhos por aqui.
Alessandro- Sim, é incrível não ter uma casa colada a outra como é na cidade.
Alonso- É uma das coisas mais estranhas que se vê nas cidades, execto as dos Estados Unidos, e na verdade nem são todas.
Alessandro Estupidez maior. As casas ficam parecendo um minhocão ou então massinha de argila.
Alonso- Fora que são pequenas... Mas claro, isso vai por causa das construtoras que não querem construir casas maiores.
Alessandro- Sim, mas...
Nesse momento vemos luzes fortes invadir a cena. Alessandro fica assustado. Ele pega a espingarda.
Alessandro- Fique aqui, Alonso. Já é a terceira vez que vejo essas luzes esse mês.
Alessandro sai para a varanda e não o vemos. Depois de dois minutos ouvimos um tiro de espingarda, um grito de Alessandro e mais nada. Alonso não consegue se aguentar e vai até a varanda. Ouvimos ele cair no chão e desmaiar. O pano desce.
FIM[/size]
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Poeta
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Apartamento Parisiense
A cena se passa em Paris, em 1942.
Cena Única
Vemos um apartamento com dois níveis. Um deles está ocupado por dois homens. Um chamado Yosef e outro Aarão. Eles são judeus e estão se escondendo dos nazistas.
Yosef- Droga! Mais um dia nesse apartamento em Paris. Tudo bem que ele é bonito, elegante, mas estamos presos aqui há quase seis meses.
Aarão- Não reclama, Yosef. Você gostaria de estar em uma prisão da Gestapo?
Yosef( se benze)- Deus me livre! Santa Virgem!
Aarão- Então não reclame. Estamos até bem instalados aqui e pessoas de confiança estão nos ajudando.
Yosef- Sim, até que você está certo. E tem poucas pessoas aqui neste condomínio. Então para descobrirem...
Aarão- Viu? Nem tudo está perdido. E nossos passaportes ficam prontos, e iremos daqui para Portugal e de lá para o Brasil. Nossa vida realmente será outra.
Yosef- Ir para o Brasil é arriscado, não acha?
Aarão- Não. Por que fala isso?
Yosef- Pelo que sei, o Brasil ainda é aliado da Alemanha.
Aarão- Não mais. Quando você estava dormindo ontem, soube pela senhora que vem aqui que o Brasil já declarou guerra à Alemanha, Itália e Japão.
Yosef- Graças a Deus! O que os brasileiros pensavam? Que a Alemanha não iria se voltar contra eles?
Aarão- Sim, com certeza. Mas agora eles realmente estão do lado dos Aliados.
Yosef- E esta guerra na França que acabou... E pelo jeito...
Aarao( interrompendo)- Ainda existe a Resistência, os maquis... Nunca irão se render.
Yosef( torce a boca com desagrado)- Detesto quando você me interrompe! Nunca sei o que falar depois, nada vem na minha mente, e aí tenho que começar outra coisa.
Aarão- Desculpe, achei que precisava te falar isso.
Yosef( levanta-se e dá alguns passos pelo cômodo)- Acha que os franceses estão colaborando bastante com os malditos nazistas?
Aarão- Creio que sim.
Yosef- Então as chances de nos encontrarem é grande.
Aarão- Sim, mas não vamos desanimar. Temos dois lugares para nos esconder aqui, e um deles é bem ocultado.
Yosef- Até um alemão inteligente realmente encontrar o truque.
Aarão( com ar de superioridade e caçoando)- Não há muitos deles.
Os dois começam a rir bastante.
Yosef- Tenho dormido tão bem.
Aarão- Eu também. E pode-se dizer que meu organismo também está muito bom.
Yosef- Incrível, não acha? Estamos aqui em um lugar sem poder sair e nossos organismos não estão cobrando luz solar, nem nada.
Aarão- Nossa consciência está tranquila. Então os organismos apenas seguem essa paz.
Yosef- Sim, cada vez mais percebo que a consciência realmente é quem dita as normas para o corpo.
Aarão- E não poderia ser o contrário, se assim o fosse, a vida seria pior do que já é.
Yosef- Mas...
Ouvimos barulhos de pessoas subindo rapidamente as escadas.
Yosef- Teremos que nos esconder!
Os dois rapidamente vão até o segundo nível e se escondem. A porta é arrebentada por um chute e vemos dois soldados entrando acompanhados de um tenente da Gestapo.
Soldado I- Ué. Onde estão? Recebemos uma denúncia agora que havia duas pessoas conversando neste apartamento.
Soldado II- Muito estranho. ( Olhando em volta).
Tenente- Alarme falso. Não há ninguém aqui e nenhum vestígio de pessoas neste lugar.
Soldado II- Devemos vasculhar.
Tenente- Aqui é pequeno, ninguém realmente está aqui.
Entra outro soldado alvoroçado.
Soldado III- Tenente Rasmussen, aconteceu algo extraordinário. Um muro explodiu e não há ninguém perto do muro. E ouvimos vozes, e quando fomos ver quem era, não havia ninguém.
Tenente- Scheiss! Vamos, não há realmente ninguém aqui.
Eles saem fechando a porta. Ouvimos barulhos de risadinhas baixas. O pano desce.
FIM
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Poeta
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A Boneca do Horror
A cena se passa em Quebec, no Canadá, em 1956.
Cena Única
Um porão que serve como quarto e depósito de algumas coisas. O porão tem ótimo estado e vendo como ele é, não se pode dizer nenhum pouco que é um porão. Em uma estante vemos bonecas russas, e uma delas é a mais chamativa. Ela tem faces rosadas, veste um vestido de camponesa holandesa e naturalmente tem cabelos loiros. Vemos uma menina de uns 13 anos escovar os cabelos de uma garota de seis anos.
Karen( escovando os cabelos de Donna)- Ah, Donna, esse teu cabelo é tão maravilhoso. Eu queria ter um como o seu.
Donna- Seu cabelo também é lindo, Karen. Não precisa ficar com inveja do meu.
Karen- Não estou com inveja. Eu sempre admirei seu tom de cabelo loiro. O meu é muito desbotado.
Donna- Não é não, ele é lindo, mais lindo até do que de mamãe.
Karen- Mamãe tem um cabelo lindo mesmo. Mas também toda a família dela tem cabelo bonito.
Donna- E quanto ao papai?
Karen- Papai tem um cabelo passável, minha querida. Nem bonito, nem feio.
Donna- Ah, eu não concordo com isso.
Karen- Você sempre acha que todos os cabelos são bonitos, minha linda irmã.
Donna- Porque são bonitos. Eu vejo a beleza em tudo na Vida. Você devia fazer o mesmo.
Karen- Quem dera. Eu sou muito exigente e seletiva. Eu realmente não consigo ser menos do que isso.
Donna- Pode parar de pentear meu cabelo, Ka.
Ka para de pentear o cabelo de Donna.
Karen- O que vamos fazer agora?
Donna- Vamos pular na cama?
Karen( fica um pouco em dúvida, sorri, confirma)- Mas só um pouco. Eu tenho medo que você caia da cama.
Donna e Karen sobem em cima da cama e começam a pular bastante nela e fazer barulho. Elas brincam por oito minutos.
Karen( ainda pulando na cama)- Estou ficando cansada. Vou parar.( Ela sai da cama).
Donna- Você cansa muito facilmente.
Karen- Sim, deveras. Você vai fazer o que?
Donna- Vou dormir meu sono da tarde.
Karen( à parte)- Depois eu que me canso facilmente. Tudo bem, minha linda, você vai dormir e te chamo às seis da tarde.
Dona- Combinado( Sorri, deita na cama e ela mesma se embrulha).
Karen( dá um beijo na testa da irmã)- Até mais tarde, cabelos loiros que tanto amo.
Donna adormece rapidamente. Karen sai. Nisso vemos a boneca mencionada sair da prateleira, dar risadinhas.
Voz da boneca- Logo brincaremos bastante, Donna. Você me despertou a pular na cama. Logo eu mostrarei o que faço. Durma, criança.
O pano desce.
FIM
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Poeta
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A Cadeira Esvoaçante
A cena se passa na Argentina, em 1845.
Cena Única
Um quarto com uma decoração um pouco efeminada. No quarto vemos um rapaz de aproximadamente 27 anos. Ele se chama Alejandro. Ele está escrevendo em seu diário. Ele logo fica entediado, fecha o diário e dá alguns passos até a janela. Ele fica de costas por uns dois minutos cantarolando baixinho. Logo vemos uma cadeira em seu quarto começar a levitar. Ele dá alguns passos para a direita no quarto e a cadeira cai no chão sem fazer barulho. Ele então pega em uma gaveta um álbum de fotografias, abre-o e começa a vê-lo. Logo a cadeira novamente começa a levitar e ele sem olhar para cima. Ele fecha o álbum e a cadeira volta a ficar no chão. Ele volta para onde estava. Ele então deita na cama, fecha os olhos por cinco minutos e a cadeira volta a levitar. Quando ele abre os olhos, a cadeira já está no chão. Ele suspira, levanta-se da cama e vai até uma escrivaninha onde há uma maçã. Ele pega a maçã, olha para ela, e desiste de comê-la. Ele então vai até a mesma janela e fica novamente de costas e a cadeira novamente faz o mesmo que antes. Depois que ele se vira, a cadeira está no chão. Alejandro então pega uma gaita e começa a tocá-la, enquanto ele toca desapercebido a cadeira começa novamente a levitar. Ele toca a gaita por uns dez minutos, e então ele pára de tocar a gaita e então a cadeira faz o mesmo que antes. Mais duas vezes Alejandro vai pela janela, e escusado será dizer que a cadeira foi novamente para o alto. Alejandro então decide sair, mas ouve uma voz de sua casa.
Voz- Alejandro! Preciso de sua ajuda, por favor venha me ajudar.
Alejandro- Cáspite! Minha mãe novamente com problemas de leitura. Uma hora agora para ajudá-la em seu francês.
Ele veste um casaco e sai do quarto. Vemos a cadeira novamente levitar. Ouvimos uma voz.
Voz- Distraído... Mal sabe ele que ele fez a cadeira levitar umas sete vezes e nem percebeu.
O pano desce.
FIM
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Poeta
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Noite de Baile
A cena se passa na Holanda, em 1919.
Cena Única
Uma sala bem mobiliada com duas portas laterais e uma na frente. A porta da frente leva a um quarto. Em cena há dois homens. Um chamado Florian e outro Frederik. Eles estão impaciente e olham para os próprios relógios.
Florian- Estamos aqui há quase meia hora. Minha irmã, mãe e sua esposa simplesmente não conseguem se decidir o que vestir para o baile.
Frederik- Não preciso nem dizer que isto é a mania mais feminina de todas, não?
Florian- Mesmo assim, deste jeito chegaremos atrasados ao baile.
Frederik- Não vejo problema nisso. Seria até bom para nós.
Florian- Para horários sou como os ingleses, detesto atrasos. Mas creio que daqui a cinco minutos elas saem do quarto.
Frederik- Ou não. Mas me diga, Florian, você está mesmo empolgado para ir a este baile?
Florian- Nenhum pouco, meu caro. Estou indo por causa de minhas irmãs e mãe. Mas gostaria de ficar em casa esta noite.
Frederik- E tem mais um baile semana que vem que teremos que ir.
Florian- Farei de tudo para escapar desse. Nem que eu comece a jogar e fumar com os amigos.
Frederik- Já faço isso, mas se eu não ir, sabe o que acontece, não?
Florian- Você poderia realmente escapulir por algumas horas, mas acho que por causa dessa ansiedade delas será muito difícil.
Frederik- Há dias estou ouvindo de minha mulher sobre este baile. Sabe como detesto ouvir a mesma coisa mais de uma vez, não sabe?
Florian- Oh, sei, e nisso sou igual a ti. Mas elas estão empolgadas e elas idealizam os bailes. Você deveria saber disso.
Frederik- Sei, e já fui a dezenas de bailes sabendo disso, e parece que não consigo pensar em nada para me livrar deles.
Florian- Ainda bem que são apenas os bailes. Um amigo meu tem uma mãe que tem... Bom, digamos que ela tem o que eu chamo de doença social. Ele tem que acompanhá-la a casamentos, velórios, batismos, piqueniques, óperas, etc. Ele muitas vezes está até mais contrariado do que estamos aqui.
Frederik(decepcionado)- Pobre coitado, mas eu ainda hei de arranjar um jeito de me livrar de ir a lugares que não quero com minha esposa.
Florian- Se me permite ser sincero, poderá arranjar conflitos com tua mulher. Com minha mãe estou acostumado a ter certas rusgas, mas eu te aconselho a ir a esses lugares, ou então, torcer para que sua mulher se torne mais introspectiva e caseira.
Frederik- Impossível, meu caro Florian. Minha mulher também tem a tal da doença social. Ela não consegue passar uma semana sem ir a algum lugar.
Florian- Isso prova que ela mesmo com os conflitos da vida consegue superá-los na companhia das pessoas.
Frederik- Sim, é o que parece. Mas me diga, você realmente sai sempre com sua mãe e irmã? Porque parece que elas são vistas algumas vezes desacompanhadas.
Florian- Consigo fugir algumas vezes, mas é raro agora, principalmente porque minha mãe agora está mais empolgada com todo tipo de eventos.
Frederik- Imagino. Minha esposa também está assim.
Florian- Primavera também, você sabe como elas ficam alvoroçadas nesta estação.
Frederik- Sim, eu sei, elas...
Neste momento a porta se abre e três belas mulheres saem.
Saskia- E então meu caro filho Florian, como estou? (Ela dá duas voltas exibindo o vestido).
Florian- Belíssima mamãe. Nunca a vi tão bela como hoje.
Veerle- E quanto a mim, meu irmão? (Faz o mesmo que a mãe).
Florian- Tão bela quanto as flores de nosso país na mais dileta primavera.
Veerle sorri encantada.
Wilhelmina- Veja querido Frederik como estou bela também.
Frederik (sorri encantado) - Sim, minha linda. Nunca te vi tão bela. Estou muito orgulhoso de ti.
Saskia- Vamos logo, creio que estamos atrasadas. O carro já está pronto, Florian?
Florian- Sim, mamãe.
Veerle- Vamos, estou ansiosa por este baile. Creio que haverá boas surpresas.
Florian dá os dois braços. Sua mãe do lado direito segura o braço, e o mesmo faz sua irmã no esquerdo. Frederik acompanha sua mulher segurando-a pela cintura. Todos saem. Ouve-se um pequeno barulho de ventania pela casa, mas nada muito preocupante. O pano desce.
FIM
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Poeta
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A Morte do Velho Jardineiro
A cena se passa na Inglaterra, em 1942.
Cena Única
Uma casa velha com uma escada que vai levar a um corredor um pouco longo, e que também leva a um quarto que está com a porta ligeiramente aberta. Nela vemos uma luz saindo. Nela há três pessoas. Uma é um rapaz de aproximadamente vinte e dois anos, de cabelos negros e olhos verdes. Outro é um senhor de aproximadamente sessenta anos, e outro é um homem de quase quarenta anos, alto, loiro e de olhos castanhos. Os três bebem vinho.
Victor- Anton, já te dissemos que realmente precisamos daquela relíquia. Sem ela realmente não podemos continuar nossos planos.
Anton- Mas conseguí-la nos campos da Sociedade realmente não será fácil. Precisaremos usar outra pessoa.
Victor- Não usaremos outra pessoa, você irá lá e pegará a relíquia.
Anton- Você sabe que tenho outros trabalhos a fazer dentro da nossa organização.
O homem mais velho fala numa voz calma, mas fria.
Theodor- Se não achares uma pessoa adequada, você mesmo roubará a relíquia, meu caro Anton. Você sabe que estou muito fraco e não posso fazer isso.
Victor- Eu não vejo como prosseguir nesse estilo. Temos que nos esconder sempre, e não há muitas casas abandonadas hoje em dia que podemos usar.
Anton- Mas ainda há milhares de oportunidades, e as pessoas não são muito curiosas nesse estado. Ou seja, podemos ficar em cada casa quase um mês, até.
Victor- Precisamos realmente dessa relíquia logo. Nossos amigos de outros planos não estão muito pacientes para esperar, e eles precisam vir para esse plano logo, vocês sabem, a guerra continua nos dois planos, e o que acontece aqui...
Anton- Influencia no outro plano. Já sabemos disso, Victor. Mas a relíquia está fortemente guardada dentro da Sociedade. Você sabe, há mais de quatro camadas que conhecemos que protegem aquela relíquia.
Theodor- Mas iremos com certeza conseguir. Não vamos desanimar agora. Já estamos há quase dois anos mudando de um lado para outro, o sucesso realmente será nosso.
Anton- Precisamos contatar os outros. Como faremos?
Theodor- Como sempre fizemos, Anton. Você anda se esquecendo demais dos velhos modos. Mas só vamos fazer isso daqui a uma semana. Por ora teremos que tomar cuidado com esse lugar.
Victor- Tem certeza que aqui não havia nenhuma pessoa?
Anton- Pelo que andei vendo, não, mas aqui é uma área onde as casas estão sempre fechadas. Os vizinhos nesta região são mais caseiros, então é impossível saber de tudo.
Victor- Então ficaremos aqui uns quinze dias, apenas.
Theodor- Ou menos. Já que não sabemos se realmente há alguém aqui que pode ouvir nossos planos.
Victor- Mas creio que podemos cuidar de algo agora mesmo.( Victor pega em um canto um frasco de veneno, uma taça e uma garrafa de vinho. Ele coloca veneno na taça junto ao vinho e coloca a taça em cima de uma mesinha).
Theodor- Então, como nós iremos...
Ouvimos de fora os passos de um homem. É o velho jardineiro que cuida da casa. Ele é um senhor de uns setenta anos, e vai se aproximando do corredor. Ele ouviu uma parte da conversa pois já estava na casa.
Victor- Temo que fiz bem em colocar vinho na taça. Um homem está lá fora. Terei que...
Theodor( autoritário)- Faça logo.
Victor sai do quarto com o copo de vinho com veneno nas mãos. Ele encontra o jardineiro perto dele.
Jardineiro- Ouvi grande parte de vossa conversa. Saiba que estou pronto para chamar a polícia por você estarem planejando roubar uma relíquia.
Victor( sorridente)- Que isso, meu senhor. Somos atores. Estamos apenas ensaiando uma peça.
Jardineiro- Não me venha com essa, eu sei muito bem que são bandidos e pretendo pará-los.
Victor- Não somos bandidos, veja, fizemos mal em invadir a casa, realmente, mas estamos sem dinheiro para nos acomodarmos. Estamos ensaiando e vamos embora. Prometemos nunca mais voltar.
Jardineiro- Então realmente não são bandidos?
Victor- Claro que não, senhor, e para provar. Vou te ofertar um belo copo de vinho. Que bandido faria isso?
Jardineiro- Está bem( Inocentemente estica a mão para pegar o copo de vinho, Victor o entrega com um olhar inocente. Ele bebe todo o vinho na taça, sorri, e dentro de dois ou três minutos começa a passar mal e se joga no chão e morre rapidamente).
Victor vai até o corpo, leva-o até o quarto.
Victor- Ainda bem que ele foi deixando as defesas logo de lado.
Theodor- Enterre-o no quintal. Ficarei aqui vigiando se vem mais alguém.
Victor- Sim, meu senhor.
Victor pega o corpo de jardineiro, sai do quarto e atravessa todo o palco com o corpo na mão e sai pela esquerda. Ouvimos corvos lá fora. Uma porta bate.
Theodor- E assim mais um acaba morrendo por se intrometer em negócios alheios.
Ele olha para Anton que sorri. O pano desce.
FIM
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Poeta
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