Crónicas :  Crônica sobre as crônicas que pretendo escrever
Esse título ficou “pomposo”, porque não encontrei meios de reduzi-lo. Se eu colocasse “Crônicas das Crônicas”, eu estaria me superestimando. Se eu colocasse “Crônicas Sobre as Crônicas”, eu estaria falando sobre todas as crônicas, e não das pobrezinhas que estão esperando pela minha boa vontade (que na verdade não é minha, pois eu também fico esperando por... digamos que seja a inspiração). Mas falando das “pobrezinhas”, elas não sabem que a culpa não é minha. Como eu não sei dizer o nome do verdadeiro culpado (ou culpada) e quem aparece sempre na história sou eu, então carrego esta culpa.

Mas falando das crônicas “pobrezinhas” que estão esperando pela minha vontade, eu digo que elas ficam insistentemente me perguntando quando é que eu vou posta-las na internet. Coitadas... Elas não sabem o que é internet. Elas pensam que ao serem expostas, todos irão admira-las, elogia-las... Elas pensam que as pessoas vão dizer: Você é muito boa, dona Crônica. Muito gostosa de ler. Eu me deleitei com a senhora... Aliás, é senhora ou senhorita? Elas só pensam nisso, coitadas. Não imaginam o pior. Não sabem que vão ter que enfrentar um monte de bocas torcidas, de narizes empinados, de falsos elogios, de indiferenças... E o pior é que elas não vão poder descer do tamanco... Vão ter que engolir com classe, porque ninguém é obrigado a aceitá-las.

Tadinhas das minhas crônicas... Ficam com esse assanho todo, quando eu as exponho, e elas veem a “parada” aqui fora, ficam arrependidas de terem insistido tanto para que eu as postasse na internet. Elas pensam que as coisas aqui são fáceis. Elas precisam entender que o mundo literário, não é melhor nem pior que os outros, é igual.

A.J. Cardiais
Poeta

Crónicas :  Paz e Amor
A minha única ambição é ter paz e amor. E se tiver que escolher um, entre os dois, eu fico com a paz. De que adianta ter um amor, sem ter paz para curti-lo? Vejo muitos casais dizendo que se amam, mas vivem num inferno de desentendimentos, que o amor fica longe. Ora por ciúmes, ora por falta de respeito e compreensão. Eu digo sempre: Onde existe respeito e compreensão, existe paz. Até entre inimigos pode existir paz, se os dois tiverem respeito e compreensão. Se o “mais forte” respeitar o espaço do outro, e evitar invadi-lo; e se o “mais fraco” for uma pessoa compreensiva, perceberá que o outro, que poderia trucidá-lo, respeita o seu espaço, passará a respeitá-lo não por medo, por ver que o inimigo é uma pessoa compreensiva. Eu cito isso porque existem muitos fracos abusados. Sabem que não podem com a briga, mas ficam fustigando o inimigo. Principalmente quando o inimigo o evita. Aí é que eles procuram aparecer...

Por aí dá para perceber que onde existe respeito e compreensão, existe paz. Pode ser uma paz mentirosa, mas não existe medo nem confusão. Aquela coisa de: “Ou medo, ou respeito”, não existe. Os casamentos de antigamente duravam porque, na sua maioria, eram alicerçados no respeito. A mulher não confiava no marido, mas procurava respeitá-lo. O homem, por sua parte, confiava na mulher e, para “respeitá-la”, fazia “seus negócios” longe. Em casa procurava parecer um “santo”. Então era muito difícil ver uma discussão entre casais. Com isso eu não estou querendo que as mulheres se tornem Amélia’s e Emília’s. Eu só estou citando o lance do respeito e da compreensão gerar a paz. Se as pessoas vivessem sintonizadas com essas duas palavras: Respeito e compreensão, talvez o mundo vivesse em paz. Porque o amor, do jeito que as pessoas estão concebendo, só traz uma paz momentânea. Fique em paz.

Obs. "Ai Que Saudades da Amélia" é uma composição de Ataulfo Alves e Mario Lago.
Ouça aqui: https://www.vagalume.com.br/mario-lago ... e-saudades-da-amelia.html

"Emília" é uma composição de Wilson Batista.
Ouça aqui: https://www.letras.mus.br/wilson-batista/265221/

A.J. Cardiais
Poeta

Crónicas :  Que Deus me perdoe
Que Deus me perdoe
Deus que me perdoe por escrever este texto. Mas quando a gente vê certas imagens, a gente fica se perguntando: Cadê Deus? O que foi que essas pessoas fizeram de tão ruim, para merecerem esse castigo? Por que Deus não toca nos corações dos milionários, não faz eles olharem para esta cena, e se apiedarem? Vejo os milionários gastando dinheiro com tanta coisa fútil. Não poderiam ajudar essas pessoas?

Uma vez eu vi, num programa de futilidades, o carro mais caro do mundo. Tratava-se de um carro (caro) coberto com diamantes. Eu acho que foi isso, porque eu não me interessei muito pelo assunto. Agora eu pergunto: Para quê essa idiotice? Isso faz o carro ser “melhor” em quê? É não ter como gastar a fortuna. Então por que Deus não toca no coração de um “miserável” desse, e o transforma numa pessoa caridosa? Ah, esqueci que Deus não se mete onde não é chamado. Tem algumas pessoas ricas que até fazem algumas “caridades”, em nome do Imposto de Renda.

Mas falando a verdade, não dá para entender o sentido da vida... A gente vê tantos políticos vivendo às custas da miséria do povo, e nenhum mal chega até eles. Nem da Terra, nem do céu. Nada lhes acontece. Eles passam por esta vida, ricos e felizes, sem nunca serem abordados por um AVC, por um DIABETES, por uma dessas doenças degenerativas, para que eles descubram o sentido da vida. Ou, com muita sorte para nós, por uma parada cardíaca fulminante, que nos livre deles de uma vez só. Mas isso não acontece com eles. Isso só acontece no meio da plebe.

Que Deus me perdoe mais uma vez, mas até parece que Ele protege os facínoras, os ditadores, os gananciosos... Porque esses caras não têm nada! E quando tem, o dinheiro logo os cura. Os caras estão destruindo vidas, destruindo o mundo e não recebem nenhuma “punição”. Isso é um péssimo exemplo para nós. O meu único consolo é achar que, quando eles chegarem “do outro lado”, eles pagarão com juros e correções monetárias todo mal que fizeram por aqui. Ninguém voltou para confirmar isto que eu estou falando, mas pensar assim já alivia a indignação.

A.J. Cardiais
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Poeta

Crónicas :  VACÍO
Un infinito espacio vacío se mece dulcemente en el vacío absoluto, sin estrellas ni dioses, inconmensurable pero vacío, silencioso, oscuro, pero majestuoso en la vacuidad de su abarcamiento del todo inexistente. No le afligen las ingenuas cosmogonías que soportaron civilizaciones, holocaustos y vistosas religiones. Esa mítica pretenciosa que explicaba infantiles orígenes a partir de un bien y un mal más humano que las lentejas, y de la preexistencia de un caos originario que deviene en ordenado agrupamiento, lánguido o súbito, siempre simbólico, con uno o varios dioses patéticos en su soledad acuciante y tristemente antropomorfos. Ni las astronomías, con sus planetas y satélites, cometas y meteoroides, las estrellas y la no creíble materia interestelar, los sistemas de estrellas, gas y polvo, galaxias y cúmulos de galaxias, pudieron acercarse al portulano de su náutica misteriosa e inexpugnable. O las antiguas cosmologías de circo, estudiando el vacío incomprensible, construyendo teorías sobre su origen encantado, su evolución consentida y su estructura recóndita. Meras miserias de un carnaval universal. Tampoco la sofisticada astrofísica, fútil invento para medir lo que no se tocaba, ni la astrología siempre al borde del ridículo en la torpeza de enlazar brillantes e imponentes estrellas con pequeñas vidas paupérrimas, dolorosas desdichas y momentáneas alegrías. Para llenar esos vacíos se inventaron piones y muones, azules y resplandecientes, quarks y leptones de todos los matices posibles del amarillo, electrones y neutrinos, grises como el grafito, fermiones de intensos rojos, leptones verdiazules, bosones gauge de un marrón repugnante, y el subrepticio bosón de Higgs, esa grotesca "partícula de Dios", de iridiscente blanco metálico. Se fingió la existencia arbitraria de quark arriba y quark abajo, quark extraño y quark encantado, quark fondo y quark cima, y un extraño quark Top solitario, todos con sus correspondientes antiquarks. Partículas poéticas no obstante inverosímiles. Y hubo un muon y un neutrino muónico y otro tauónico, jeroglíficos sin sentido que enterraría el tiempo bajo sus arenas inevitables. Y como toda obra humana esta fanfarria variopinta tiene su inútil pirámide milenaria en lo que fue la frontera franco-suiza, las ruinas subterráneas del Gran Colisionador de Hadrones del supuesto Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire. Manifestación concreta de una búsqueda sin fin. Quizá los siglos confirmen la sentencia de Carlyle: "Toda obra humana es deleznable, pero la ejecución de esta obra es importante". Han sucedido las vigilias de incontables eones y un infinito espacio esencialmente vacío se mece dulcemente en el vacío, sin estrellas ni dioses, sobretodo sin dioses.
Poeta

Crónicas :  A vida é como um rio
Viver desejando o passado, não serve... O passado só existe na nossa mente e nas imagens. Para a vida não existe passado nem futuro. Para a vida só existe o presente. Ela segue em frente transformando o amanhã em hoje, sem se importar com o ontem. O ontem não existe mais. E nós ficamos tentando situar-nos no tempo, entre um passado bom e um futuro incerto. Quando o passado foi bom, ficamos tentando repeti-lo sempre. Mas a vida segue adiante, a vida não se repete. Tem certas coisas que nós achamos que está acontecendo novamente, mas para a vida nunca é a mesma coisa. Sempre existe alguma modificação (para melhor ou para pior) que nós não percebemos.

A vida é como um rio que dá voltas e voltas, mas nunca volta a se encontrar. Ele pode voltar para a mesma direção, nunca para o mesmo ponto em que resolveu virar. E, muitas vezes, quando ele volta para a mesma direção, já não é o mesmo rio. Pode estar com outro nome, pode estar mais caudaloso, por culpa dos afluentes, pode estar poluído... Assim mesmo é a vida. Ela pode dar voltas. Mas nunca volta ao mesmo ponto, porque o tempo já é outro.

A.J. Cardiais
Poeta

Crónicas :  Os erros e as falhas
Vou começar este texto pedindo desculpas aos leitores que, às vezes, tropeçam em alguns erros no transcurso da escrita. Explico: quando estou escrevendo, saio atropelando tudo: língua, palavras, gramática, concordâncias... Tudo! É uma corrida maluca, onde eu quero chegar ao fim logo, para não perder a ideia no meio do caminho. Porque, quando a gente perde a ideia, a gente perde um tempo enorme procurando porque foi que resolveu escrever o texto. A gente perde o principal do texto: o motivo. Eu pelo menos sou assim: só escrevo motivado por alguma coisa. Parece que fui picado por alguma coisa, aí começo a coçar... Ainda bem que eu escrevi um texto intitulado “Escrever e Coçar, é só Começar".

Até aqui ainda não estou perdido, mas juro que já estou procurando olhar para onde é que estou indo. É justamente quando começa essas preocupações, que a gente se perde. Imaginem se a gente for ficar procurando a concordância mais perfeita etc. É aí que a vaca corre para o brejo, e a gente vai atrás. Vocês já devem ter percebido que, a essas alturas, eu já estou correndo atrás da vaca, não é? Pois estou mesmo. Perdi a faixa de sinalização. Só que eu não quero ficar parado, procurando, porque pode ser pior. Vou seguindo pelo brejo mesmo... Quem sabe lá adiante eu não encontre uma estrada asfaltada?

Estou no brejo e me lembro que eu já li alguns romancistas dizerem que, às vezes, os personagens criados por eles eram quem conduziam as próprias falas. Como aqui o personagem sou eu (ou não?), eu tenho que procurar um jeito de chegar ao fim de qualquer maneira... Vou ficar enrolando até o “motivo” voltar. Quem se arriscar em ler que engula esta xaropada ou então bote fora. Nessa brincadeira de enrolar, o “motivo” já piscou três vezes, e eu o perdi...

Piscou! O “motivo” é este: se eu for ficar parando para verificar se está tudo certo, eu não chego ao fim. Aí acabo perdendo a motivação, deixo para depois e não acabo nunca. Como eu disse: saio atropelando tudo e só deixo para dar uma revisada quando acabo. Dou umas duas revisadas, vem o fogo de ver o texto "no ar", então acabo postando. Não consigo fazer como já disseram os mestres Drummond e Quintana: deixar na gaveta esfriando, para depois ir podando os erros, as falhas. Quando eu tento fazer isso, acabo podando é minha euforia. Às vezes quando leio um texto meu, já com o sangue frio, acho que está ruim e termino não postando. Eles tinham profissionais à disposição para fazerem a revisão dos textos deles, eu não. Eu só conto com o auxílio valoroso do computador. Quando ele grifa de vermelho, já sei que é uma pedra. Aí lá vai eu retirá-la para que meu amado leitor não tome uma topada. Mas vá com cuidado, porque sempre há uma pedra no meio do caminho, que eu não soube (ou esqueci de) retirar.

A.J. Cardiais
Poeta

Crónicas :  LA VOZ ENJAULADA
Hay un voz que te busca como una áspid de dulce veneno y deliciosos lamidos, que busca tus intersticios, tus grietas, tus fisuras por donde deslizarse en ti clandestina y sigilosa, para estremecerte con cosquillitas indiscretas ahí en el ardiente vórtice de tus más íntimos deseos y hacerte dormir en los brazos de tu embaucador, lejos del tumulto aciago de tus días. Sábelo, porque ya iras sintiendo mis besos transgrediendo los horarios con todo desparpajo en mitad del día nublado, sin sol, con amanecer opaco, sin los brillos solares, como si el sol adivinara que te acecho en mi entrecelos hasta abrumarte de mí. Acá se vino un atardecer de rojos intensos y tenebrosos nubarrones gris oscuro, y al ver ese espectáculo grandioso pensé en ti, pensé en como serán tus crepúsculos, en como vagará tu alma dolorida por esos cielos tuyos con olor del río, y me dije que esta noche iré a ti, silencioso, y me deslizare en tu lecho cuando ya estés dormida, y te abrazaré despacito, acariciaré tu cabellera rebelde, besare tu cuello por entre el pelo ensortijado y te susurraré al oído suavemente antiguos versos de amor una y otra vez hasta que comience a aclarar, y entonces me vendré a mi sueño con todo tu calor y tu perfume incrustado en mi piel. Y he ido buscando y rebuscando en tus imágenes borrosas y en tus palabras ya casi inaudibles el sabor primitivo de tu piel para participar otra vez en tus días y estremecerme de ti en tus noches donde doy mis prederrotadas batallas contra mis terribles demonios, porque ahí en la noche es que me derroto, me venzo, hundido entre tus misterios. Ahí soy lo que soy, un lobo primitivo, desbordado por deseos ancestrales, por los dolorosos instintos innatos de predador predestinado a ti. La noche entera se derrumbó sobre las calles adormecidas del crepúsculo, solo siluetas aisladas caminaban adentrándose en la penumbra, los galeones carcomidos por el tiempo se zarandeaban en el oleaje del día que aun llegaba como una marea lenta que ya no inundaba las horas finales de la luz. Yo esperé en esa orilla las palabras en hierro ardiente o hiel que tus furias vinieran, o la dulzura imposible de musa atrapada y no, no hubo certezas de ti ni las luces de los faroles iluminaron los antifaces de la comparsa de alguna tarde tan antigua como nosotros. Y es porque tú, por afán de diosa inalcanzable o por manía de virgen perseguida, siempre encuentras algo que confirma tus miedos. Quizás no puedes dejar de ser ese tú que te enjaula y entrar en ese otro mundo donde seas ilimitada, libre, sin juicios ni prejuicios, incensurada, abierta a correr desnuda por la grama, a entrar en la noche como a un carnaval, enmascarada y ebria de vidas posibles, de locuras y de exploraciones, sin el peso de tu historia y sin las claves, códigos y símbolos de todos los sueños de niña tímida que mira curiosa detrás de los espejos. Siempre detrás de los espejos.
Poeta

Crónicas :  Quando a morte vem
As pessoas precisam entender que não existe “preparação” certa, para evitar a morte. Quando o médico manda o paciente evitar de comer gordura, fritura, sal, açúcar, deixar de beber, de fumar, fazer exercícios etc, ele está fazendo isso para que a pessoa viva com saúde e evite as doenças. Quando ele fala que se a pessoa continuar fazendo uso dessas coisas irá morrer logo, eu acho que ele só esta querendo assustar. Acredito que a morte só leva alguém, quando chega o dia da pessoa. Se fosse assim, todas as pessoas que malham e que se cuidam, só morreriam bem idosos. Mas não é o que a vida nos mostra.

Vejam como só morre quem tem que morrer: Quantos acidentes você já ouviu falar que, entre várias pessoas, só uma ou duas ficam vivas? Uma vez eu li (isso já faz tempo) que um avião havia caído em um lugar, e o único sobrevivente foi um bebê... Como pode? O caso do cantor Herbert Viana é um exemplo.

Tem gente que come tanta “porcaria” que faz mal à saúde, e não sente nada... Às vezes morre de velho. Tem gente que bebe, fuma... pinta os canecos, e só vai morrer depois de velho. Aí vão dizer: É uma questão de genética. Recentemente um médico, de 51 anos, morreu vítima de infarto fulminante. Como eu não entendo de medicina, eu pergunto: Para ele ter esse infarto fulminante, ele já deveria apresentar qualquer sintoma que indicasse essa possibilidade, não? O cara era presidente do Sindicato dos Médicos. Não é possível que ele não soubesse qualquer coisa, a respeito dele mesmo. Segundo estou lendo aqui no jornal, ele mesmo entrou em contato com a SAMU, quando sentiu-se mal. E quando estava sendo encaminhado a um hospital, teve duas paradas cardíacas.

Se fosse uma pessoa qualquer, talvez até os parentes ficassem culpando os médicos do SAMU, pela morte. Dizendo que eles demoraram, que eles foram negligentes etc. As pessoas sempre querem um culpado para a morte de alguém. E a morte, como não é besta, procura sempre uma desculpa pra dizer que a pessoa morreu por causa disso e daquilo, não porque chegou o dia da pessoa partir.

A.J. Cardiais
Poeta

Crónicas :  Quando a morte vem
Quando a morte vem
As pessoas precisam entender que não existe “preparação” certa, para evitar a morte. Quando o médico manda o paciente evitar de comer gordura, fritura, sal, açúcar, deixar de beber, de fumar; procurar fazer exercícios etc, ele está fazendo isso para que a pessoa viva com saúde e evite as doenças. Quando ele fala que se a pessoa continuar fazendo uso dessas coisas irá morrer logo, eu acho que ele só esta querendo assustar. Acredito que a morte só leva alguém, quando chega o dia da pessoa. Se fosse assim, todas as pessoas que malham e que se cuidam, só morreriam bem idosos. Mas não é o que a vida nos mostra.

Vejam como só morre quem tem que morrer: quantos acidentes você já ouviu falar que, entre várias pessoas, só uma ou duas ficaram vivas? Uma vez eu li (isso já faz tempo) que um avião havia caído em um lugar, e o único sobrevivente foi um bebê... Como pode? O caso do cantor Herbert Viana é um bom exemplo.

Tem gente que come tanta “porcaria” que faz mal à saúde, e não sente nada... Às vezes morre de velho. Tem gente que bebe, fuma... Pinta os canecos, e só vai morrer depois de velho. Aí vão dizer: é uma questão de genética. Recentemente um médico, de 51 anos, morreu vítima de infarto fulminante. Como eu não entendo de medicina, eu pergunto: para ele ter esse infarto fulminante, ele já deveria apresentar qualquer sintoma que indicasse essa possibilidade, não é verdade? O cara era presidente do Sindicato dos Médicos. Não é possível que ele não soubesse qualquer coisa, a respeito dele mesmo. Segundo estou lendo aqui no jornal, ele mesmo entrou em contato com a SAMU, quando se sentiu mal. E quando estava sendo encaminhado a um hospital, teve duas paradas cardíacas.

Se fosse uma pessoa qualquer, talvez até os parentes ficassem culpando os médicos do SAMU, pela morte. Dizendo que eles demoraram, que eles foram negligentes, etc. As pessoas sempre querem um culpado para a morte de alguém. E a morte, como não é besta, procura sempre uma desculpa pra dizer que a pessoa morreu por causa disso e daquilo, não porque chegou o dia dela (da pessoa) partir.

A.J. Cardiais
imagem: google
Poeta

Crónicas :  Crônica policial
Infelizmente (para desabafar) tenho que escrever esta crônica policial. Acabo de ver na televisão que dois jovens, filhos de militares, foram presos por cometerem assaltos. Um filho de um militar da Aeronáutica e o outro do Corpo de Bombeiros. Como eu estou evitando assistir esses telejornais sensacionalistas, não preocupei-me em ouvir os detalhes para descrevê-los agora. Mas essa coisa ficou martelando, me incomodando, e o jeito de tentar livrar-me foi esse: escrever esta crônica.

Esse não é o primeiro caso de filhos de autoridades cometendo atos contra a sociedade. Se for enumerar, já aconteceram centenas. Mas, de quem é a culpa? Será dos pais, que criaram os filhos mostrando-lhes que eles são filhos de autoridades, e podem fazer o que bem quiserem que não vai dar em nada? Será que os filhos cometem esses abusos porque viram os pais cometerem? Não! A causa fica difícil de explicar.

Uma vez (já faz tempo) eu vi um delegado de policia IMPLORANDO, na televisão, que o filho se entregasse à polícia. Imaginem a dor desse pai, um delegado respeitado, condecorado, ver o filho tornar-se um marginal... Resultado: O filho não se entregou, e acabou sendo morto em confronto com a polícia. Será que ele queria isso para o filho?

Talvez a culpa de tudo isso esteja na Justiça, pois esta obedece a Leis antigas. Leis do tempo em que os marginais tinham um “código de ética”: respeitavam a polícia. Leis do tempo em que a bandidagem não era tão violenta, como hoje, e chegava ser até “romântica”. Quando você ouve, lê ou assiste histórias de Madame Satã, Bandido da Luz Vermelha e outros, você sente que eles tinham um certo “respeito” pelo ser humano. Eles queriam ser temidos, respeitados, admirados, mas não é como hoje, que os caras se sentem Deuses. Outra coisa: os marginais de antigamente não faziam fortuna causando a destruição dos seres humanos. Os que “conseguiam” alguma coisa à mais, eram os assaltantes de bancos etc. Os outros só queriam uma vida fácil. Era um “descuido” aqui, uma trapaça ali... Acho que não pensavam em enriquecer. Se eu for ficar comparando as diferenças, vou encher a página.

Voltando para o prato principal: eu acho que a culpa de tudo isso é da Justiça, porque fica legislando com Leis antigas. Essa Lei do menor de idade já deveria ter sido revista. Tem meninos de dez anos, mirrados, franzinos, mas que manejam uma arma de fogo com mais agilidade do que muitos adultos. E os traficantes se aproveitam disso: da impunidade por ser menor, e usam os “pequenos” para fazerem os “trabalhos” dos grandes. Todo mundo está vendo isso. Será que a Justiça é tão cega, que é a única que não está vendo?

Outra coisa são esses indultos. Para que soltar marginal, porque é dia dos pais, sexta feira santa, natal... É soltando, e eles cometendo as mesmas coisas que os colocaram no xadrez. E a maioria não retorna... É só para dar trabalho aos policiais, de terem que prendê-los outra vez. Quer dizer: parece que a Justiça não gosta da Polícia. Às vezes o policial dá um duro danado para prender um marginal, mas a Justiça olha para o marginal, (como ela é cega) não enxerga nada de mais, e solta o meliante... E aí, você me diz o quê? Olhe, eu vou ficando por aqui. Se eu deixar minha indignação ir em frente, esse texto ficará enorme.

A.J. Cardiais
Poeta