Crónicas :  "O PELÉ CALADO É UM POETA".
"O PELÉ CALADO É UM POETA".

Pele estigmatizou a todos nós dizendo que “o povo brasileiro não sabe votar”.

Ele já deu muitos exemplos confirmando o que Romário disse, com muito mais assertividade, “que calado Pelé é um poeta”.

Eu ouço esta frase “que o povo não sabe votar” ao longo da minha vida e ela sempre bateu na trave do meu tirocínio.

“O povo não sabe votar”, como se fosse possível votar certo nesta bagunça que é o nosso sistema politico.

Eu votei num vereador que dois anos depois virou um deputado estadual.
Quem ocupou o lugar dele como novo vereador? Para onde foi o meu voto? Eu não queria “este novo vereador”.

Votei num senador que virou ministro, quem ocupou a vaga dele? Já não sei, só sei que entrou um suplente sem nenhuma expressão no meu estado.

O Tiririca teve centenas de milhares de votos, tudo bem se ocupasse só uma vaga no legislativo, estaria correto, é um direito dele, mas o erro esta em, devido ao seu elevado número de votos, levar mais quatro ou cinco “raposas” que tiveram quinhentos votos.

No caso do falecido Enéias ele levou para o congresso deputados (+- uns seis) que não tiveram nem quinhentos votos.

Mesmo que eu, você ou aquele outro tenha votado bem, com mais discernimento, este voto fica anulado perante estes quatro ou cinco que entraram pela porta dos fundos.

A voz deste nosso “bom” deputado vai se perder no meio destes que se elegem por meios tão contraditórios.

Pelé faça o que disse Romário: Se torne um poeta.

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"Não é o lugar em que nos encontramos nem as exterioridades que tornam as pessoas felizes; a felicidade provém do íntimo, daquilo que o ser humano sente dentro de si mesmo' Roselis von Sass – www.graal.org.br
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Crónicas :  O EXERCITO, A NOSSA PRAIA E A DILMA
O EXERCITO, "A NOSSA PRAIA", E A DILMA

Logo depois de terminada o período da nossa ditadura de direita, cabe frisar, pois naquela época alguma ditadura tinha, em países como o nosso ainda em auto afirmação, ou seja, a maioria.

E aqui felizmente dos males o menor, fomos de direita, pois não sobraria nenhum estudante da USP ou de qualquer outra universidade federal do país vivo, pois eles seriam considerados os filhos da burguesia como era a nossa presidenta Dilma, e que realmente todos eram, e seriam fuzilados não muito tempo depois da vitória da revolução que eles queriam, como ocorreu em qualquer ditadura de esquerda.

Che Guevara só sobreviveu a Fidel porque saiu pelo mundo, pois lá não haveria lugar para os dois. Eu cá tenho minhas dúvidas se não foi o próprio Fidel que encorajou o amigo a sair por ai dando tiros.

Em qualquer país de ditadura de esquerda a classe média pensante foi massacrada e em países como o nosso, cuja ditadura foi de direita, foram justamente estes que pegaram em armas e que seriam os primeiros a irem para o “paredão”.

Então parece que eram mazoquistas ou totalmente ignorantes, mas o mais certo é que eram metidos e manipulados. Estavam dando um tiro no próprio pé já que lutavam pró soviéticos e se esqueciam que eram eles próprios os tais boyzinhos da classe dominante, os tais filhos da burguesia.

Como na revolução francesa que um ano depois todos os líderes revolucionários já estavam sendo fuzilado pelos seus remanescentes o mesmo aconteceria com eles.

A briga pelo poder não pararia, assim como aconteceu na própria Rússia onde prevaleceu quem mais traiu e matou, que foi Stalin.

Bom, a história é que logo depois da derrocada do nosso período de exceção lembro-me de ter lido uma entrevista de Delfim Neto onde ele dizia, mais ou menos, que dava dó, pois os militares certinhos como eram, se viam na necessidade de fazer negócios com civis e destes muitos foram criados nas areias de Copacabana, Ipanema e Leblon, portanto sobrava malandragem para estes lidarem com aqueles e que, quando mal intencionados, se aproveitavam das relações.

Para quem serviu no exército, eu servi só por três meses, graças aos esforços da minha mãe que me tirou de lá, deu para entender o que ele quis dizer, pois ficávamos cercados por muros de quase três metros, sem nenhum contato com o mundo exterior durante quase todas as 24 horas do dia, tanto nós soldados, como os oficiais.

Só saiamos para a rua à noite, isto quando dava e às oito da noite, e de qualquer forma tínhamos que estar logo cedo, as seis horas, de volta o que particularmente para mim era um horror, pois nunca me acostumei a acordar cedo.

Lá dentro daqueles muros só se falava, claro, em marcha, disciplina, exercícios, refeitório, etc., mas, engraçado, nunca falavam da revolução que estava a pleno vapor e no final quase todos meus amigos foram expulsos.

Não por serem maus elementos, mas simplesmente por inadequação e espirito libertário.

O fato de não tocarem no assunto "revolução" para os soldados mostra que sabiam separar as coisas e faziamos guarda sem nenhuma preocupação e eu vivia dormindo nas cancelas.

Só pessoal como o da turma da Dilma achavam que estavam fazendo alguma coisa pegando em armas para matar soldados como nós que não sabiamos nada de nada.

Mas enquanto os “mais bem comportados” davam baixa já em Dezembro, meus amigos só saíram lá por marco/abril. Nisso o exercito era esperto quanto mais folgado era o cara mais sofria, e mais tempo ficava lá dentro, e só no final da extensão máxima permitida de permanência é que eram mandados embora.

Uma coisa eu e todos os meus amigos tinhamos consciência:

Lá dentro o mundo era muito lento e chato para nós. Nós não tínhamos nascido para aquilo e pena que serviço não fosse opcional, pois com certeza tinham muitos que gostavam da vida de caserna.

Ninguém é melhor que o outro somos apenas diferentes e com ideais diferentes.

Em um mês de praia aprendiamos mais que em um ano dentro daqueles muros.

Delfim estava certo e errados foram aqueles que não ficaram nem no exercito, nem gostavam de uma prainha, e resolveram pegar em armas.

E eles nem sabem como foi bom para nós o fato de eles terem sido só uns gatos pingados metidos e logo dominados, pois o nosso país não mereceria ver atos terroristas serem praticados contra a nossa gente por um ideário de viés idiota que se provou muito mais sanguinário.

Aqueles "filhinhos de papai" , por influência, nunca pegavam exercito, só o povão, e não tiveram importância nenhuma na derrocada da ditadura ocorrida bem depois.

Em Cuba, por ser uma ilha, e em outros países, o comunismo só se manteve devido às condições de limitações geográficas ou climáticas (a Sibéria que o diga) e que não daria certo num país continental como o nosso, onde poderíamos fugir por todos os lados.

“E a nossa praia oh, iria pro espaço”.

Quem não viu as fotos da nossa presidente com cara de machinha lá nos aparatos da ditadura está conhecendo agora o seu viés autoritário, que não sabe delegar nada, é centralizadora, como são os comunistas, e está se metendo até no plano de voo do avião que a leva para cá e para lá. Coitado do piloto e aparentemente de nós também.

Ela deveria ter pego mais praia, teria feito bem para ela.

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Crónicas :  Livros, literatura & leitores
Livros, literatura & leitores
Minha maior preocupação é escrever textos que tenham “utilidades”. Textos que sirvam para despertar alguma coisa no leitor. Não estou tão preocupado com a “qualidade”. Preocupo-me sim, com a gramática, pois escrever corretamente é muito importante. Mas infelizmente parece que até isto está sendo deixado para trás por alguns escritores, porque tenho lido alguns livros e textos em que não há esta preocupação com a pontuação etc. Mas como não tenho nada com a vida dos outros, sigo o meu ideal.

O que é preciso dentro da literatura (e das artes em geral) é acabar com a “discriminação”. O que é que faz um livro ser “bom”? É o número de vendagem ou a informação? E o que é que faz um livro vender muito? É a estratégia de marketing ou o conteúdo? Tem gente que fica à cata de best-sellers, simplesmente para comentar que já leu, e não para adquirir algum conhecimento. Sinceramente, eu só leio o que me interessa. Não leio algo só para “dizer que já li”. Quando, por acaso, algum “best-seller” chega às minhas mãos (eu sou difícil comprar. Já não compro os que me interessam, por falta de grana), eu leio a primeira página, a segunda... Se não der para “engolir”, abandono a leitura. Eu gosto de ler o que me dá prazer em ler. Algo que, de alguma forma, me satisfaz. Já li livros difíceis de serem “digeridos”, mas eram assuntos que me interessavam. Às vezes eu tinha que ficar “ruminando” um assunto, para ser bem digerido. Não estava lendo simplesmente para ficar comentando na internet etc.

Vou dar um exemplo: eu comprava muito livro “do balaio”. Quando eu passava pela porta das livrarias e via aquele monte de livros no balaio, a preço de banana, eu tinha que dar uma olhada para ver se algum me interessava (são meus objetos de consumo: discos e livros). Numa dessas “investidas”, comprei um livro intitulado “A Cidade de Alfredo Souza”, de José Angeli. Quando comecei a ler, não consegui passar da segunda página. Foram várias tentativas e desistências. Resultado: deixei o livro de lado. Oito anos depois, não tendo nada o que ler, resolvi enfrentá-lo: forcei a barra. Quando consegui passar da segunda página, a história ficou maravilhosa... A leitura estava tão boa, que resolvi levar o livro para o trabalho para devorá-lo. Quando estava voltando para casa, encontrei com um amigo, o poeta Figueiredo. Vendo o livro, ele falou: rapaz, eu tenho um livro desse. Já tentei ler, mas nunca consigo passar de segunda página.
Então eu falei: tem uns oito anos que comprei este livro, e também não conseguia passar da segunda página. Ontem resolvi forçar a barra e descobri uma leitura deliciosa. Agora estou devorando-o. Hoje mesmo acabo de lê-lo. Resultado: depois de devorar o romance, fiquei querendo outro que tivesse “o mesmo sabor”.

A.J. Cardiais
imagem: a.j. cardiais
Poeta

Crónicas :  EL SERMON DE LA LLANURA
EL SERMON DE LA LLANURA

Desgraciados los pobres, porque ellos engordaran a los ricos.
Desgraciados los que lloran, porque será inútil.
Desgraciados los mansos, porque sufrirán a los violentos.
Desgraciado el que tiene hambre y sed de justicia, porque los jueces están de banquete.
Desgraciados los misericordiosos, porque el enemigo es implacable.
Desgraciado los limpios de corazón, porque se creerán cualquier cuento.
Desgraciados los que sufran persecución por la justicia, porque terminarán presos.
Desgraciados cuando os vituperen y persigan, porque detrás están los medios y la iglesia.
Gozad y alegraos, porque el pueblo dejará de comer vidrio.
neco perata
Poeta

Crónicas :  Nós, os cães, os gatos & outros animais
Nós, os cães, os gatos & outros animais
Eu fico me perguntando: será que os gatos e os cães já vieram ao mundo para viverem entre os humanos, ou se há muito tempo atrás eles foram sendo domesticados, até não existir mais nenhum gato e nenhum cachorro selvagem? Pelo que me consta, tirando os animais “comestíveis” (galinha, pato, peru, porco, boi...) e os trabalhadores (cavalo, jegue...), os únicos que já nascem entre os humanos são os gatos e os cachorros. Você vê muitas pessoas criando pássaros, micos, tartarugas, peixes, coelhos... até cobras. Mas eles são tirados da Natureza, ou comprados nos “cativeiros”. Isso quer dizer: eles foram “acostumados” a conviver com o ser humano. Já os gatos e os cachorros não precisam disto, eles já nascem acostumados. Eles já conhecem esta espécime predatória, destruidora e maquiavélica, que é o ser humano. Talvez seja a única hora em que nós “despertamos” o nosso lado animal, seja esta: quando nos aproximamos dos nossos bichinhos de estimação, com amor. Eu falo “com amor”, porque tem muita gente que cria os animais só para alguma utilidade. Os cães para protegerem a casa e os gatos para livrem a casa dos ratos. Não dão nenhum outro tipo de atenção aos seus “fieis escudeiros”. Depois dizem que "gostam" de animais.

A.J. Cardiais
imagem: A.J. Cardiais
Poeta

Crónicas :  MINHA VIVÊNCIA COM CAIM E ABEL (RACIOCÍNIO E INTUI
MINHA VIVÊNCIA COM “CAIM E ABEL” (RACIOCÍNIO E INTUIÇÃO)

Tinha sido um domingo bem agradável e estávamos ainda no horário de verão.

Depois de termos passado todo o dia em descanso resolvemos, mais por influência minha, que era um cinéfilo de carteirinha, dar uma caminhada até o Shopping ali perto e lá aproveitarmos para ver o filme de suspense que tinha estreado naquela semana, e que estava sendo muito elogiado pela crítica.

Era uma região bastante segura da cidade e fomos tranquilamente caminhando de mãos dadas, mas para decepção minha, chegando lá, demos com uma fila enorme que denotava que não haveria chance de assistir o filme naquela noite.

Para não perder a viagem vi que havia começado outro filme há poucos minutos, então comprei as entradas e foi quando o raciocínio falou alto:

“Puxa, daqui a quinze minutos, se quisermos, podemos trocar de sala.”

Naquele shopping só tinha uma entrada principal e nas salas não havia controle.

Comprei os ingressos, entramos e falei “por cima” para a minha futura esposa o que tinha se passado pela minha cabeça, e ela, se tivesse tido tempo de raciocinar melhor, teria dito, com certeza, que não concordava com a “saída” encontrada por mim para aquela “entrada”.

Sentamos na sala e começamos a assistir o filme, que “poderia” servir de trampolim para o outro, mas, nesta, o meu espirito soprou na minha consciência que isto não seria justo para com todas aquelas pessoas que estavam lá fora aguardando.

Então comentei com a minha futura esposa que tinha me arrependido de ter tido aquele pensamento.

E assim relaxei e com certeza ela também, e ficamos assistindo o filme, mas lá pelas tantas escutamos uma gritaria na sala do tal filme que era o inicialmente desejado e eu cochichei no ouvido dela:

“Puxa, o filme deve ser muito bom mesmo” e continuamos tranquilos a assistir aquele que não era lá muito bom, mas de consciência tranquila e em paz.

Terminado o filme saímos e demos de cara com uma cena de terror:
Já no hall de entrada do shopping, contiguo ao dos cinemas, tinham pessoas sendo atendidas por paramédicos, tinha outras estiradas pelos cantos chorando, outras amparadas por conhecidos; a porta de vidro de entrada do shopping toda estraçalhada, vasos caídos, nada estava inteiro por ali, verdadeiramente uma cena de filme de terror.

E ai eu perguntei a alguém o que é que tinha acontecido e o mesmo comentou que devido à sala estar totalmente lotada uma moça tinha passado mal e desmaiado e a amiga que estava junto, apavorada, começou a gritar e isto gerou um pânico que tomou conta de todos.

E no desespero todos saíram se atropelando uns por cima dos outros, e por cima das cadeiras, buscando as portas de saídas e nesta, claro, houve muitos machucados, mas os casos mais graves já tinham sido encaminhados para os hospitais e estes outros, menos graves, estavam sendo atendidos ali mesmo.

E eu, com a minha futura esposa (que ainda nada sabia de Caim e Abel), e eu ainda não acreditando no que tinha visto, passei pelos escombros e caminhando para casa fui pensando no quanto tinha sido primordial eu ter ouvido a minha voz interior, a voz do meu espirito a intuição (Abel) e não a do meu frio e calculista raciocínio. (Caim).


“Erguei vosso espírito, principiai a pensar e falar com visão ampla e total! Isto condiciona naturalmente também que trabalheis não somente com o raciocínio, que faz parte da matéria mais grosseira , como também que deis novamente a vosso espírito as possibilidades de guiar vosso raciocínio,...” Abdruschin em sua Mensagem do Graal "Na Luz da Verdade" – www.graal.org.br


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Crónicas :  minicrônica: UMA FURADA
UMA FURADA


Ouvi falar que naftalina era bom para espantar morcegos, teve um amigo que comprou dois quilos, não sei o que aconteceu com ele, mas eu só comprei um pacotinho com umas dez bolinhas e joguei no forro, bem em cima do quarto e uma coisa eu posso lhe falar:

Os morcegos ainda continuam lá, mas a minha esposa está acampada dormindo na sala de tv faz mais de uma semana e sem previsão de voltar, enquanto o sol não dissolver totalmente as ditas cujas.

Tomara que o veranico de Maio chegue logo.

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Crónicas :  O CORPO: PRISÃO OU LIBERTAÇÃO
O CORPO: PRISÃO OU LIBERTAÇÃO

O nosso corpo não pode ser uma prisão aonde guardamos no nosso inconsciente todas as nossas travas, nossos traumas e nossas cicatrizes abertas, ou mal fechadas..

No corpo que carregamos, pois nós não “somos ele”, ele é apenas o nosso veículo de ir e vir, a ferramenta que utilizamos para executarmos todas as nossas atividades terrenas ou intelectuais por um determinado tempo, pequeno tempo, da nossa existência.

Ele deveria servir para a nossa transitoriedade nesta Terra, mas acabamos o utilizando como uma espécie de “parque de diversões”, pois ao invés de evoluirmos naquilo que dá vida a ele e à nossa consciência que nos traz a conscientização das coisas (de muitas podemos morrer sem ter adquirido) ficamos só com a parte da evolução da ferramenta.

Aprimoramos a ferramenta com conhecimentos intelectivos, técnicos e culturais e não o ferramenteiro que é a nossa consciência, o nosso eu que amadurece nas emoções e nas intuições que vão se refinando e nos tornando sabios e por isto acabamos limitados somente para àquilo que dá prazer, ou descanso, ao corpo físico e sua mente.

Mas, emocionalmente, continuamos ainda belicosos, agressivos, egoístas, preconceituosos e sem compreensão do outro, pois não desenvolvemos sentimentos mais finos, não nos refinamos e, por isso, estamos hoje sempre com a sombra onipresente de uma provável e muito próxima guerra nuclear.

Almoçamos tranquilamente vendo animais morrendo de fome e sede no Nordeste, tão próximo de nós, e nem nos abalamos mais. Continuamos embrutecido, como sempre fomos, só que em outra escala, em face do sofrimento alheio e dos animais, que não tem como se defenderem.

Vemos cachorros nas ruas das cidades sem terem mais as suas latas de onde arranjavam comida e nem nos tocamos de quantos não devem morrer de fome e não fazemos nada, pois achamos que não é problema nosso, é do governo, mas não estamos falando da parte operacional, mas sim da falta de sensibilidade para com o sofrimento deles.

Vemos animais sendo abatidos de forma horrenda e desumana na televisão, enquanto, ao mesmo tempo, comemos o nosso naco de carne, não estou falando de vegetarianismo, mas de falta de compaixão, de sensibilidade.

Não temos mais por sofrimento algum e, se ainda temos algum, ele logo se apaga quando vem uma nova atração ou sai da mídia.

Na maioria esmagadora da humanidade só utilizamos a parca consciência que ainda temos só voltada para a aquisição de prazeres voltados para este mesmo corpo.

O corpo e seu intelecto perderam a finalidade de ferramentas úteis de propiciar alegrias e de levar enobrecimento ao espirito, ensinamentos que só na Terra podemos adquirir e que nos levariam para níveis mais elevados de consciência.

Outros, uma grande parcela, tem o corpo somente para a usufruíção do prazer sexual, distanciado do amor anímico que deveria ser o estimulante e o enobrecedor deste instinto que deixou de ser natural e se tornou outro vício insano e sempre insatisfeito, pois sempre estimulado das mais diversas formas.

Aquisições de bens materiais só voltados para o prazer do corpo e do seu cérebro/ego e não para o desenvolvimento de todo o meio em que está circunscrito e do nosso lado espiritual que a riqueza pode nos propiciar, ao invés de nos tornar egoístas, egocêntricos e presunçosos durante a nossa estada na Terra.

Em tudo vemos hoje o mundo do ser humano só voltado para os prazeres do corpo, do instrumento terreno que deveria trazer evolução e alegrias e que aumentariam na medida em que fossemos evoluindo com estas experiências.

Mas não, hoje tudo se baseia nos deleites que o corpo pode possuir, assim como do lazer para relaxá-lo ou estimulá-lo.

Fumantes dizem que fumam pelo prazer que o cigarro lhe dá, mas não se tocam que este prazer não é originário do corpo, não é autentico, foi adquirido, agregado ao dia a dia. Um prazer “criado” e que não precisaria existir.

Com a bebida é a mesma coisa, não se tem mais aquele prazer de se encontrar no fim do dia para boas conversas sem que não esteja rolando alguma bebida, pois sem estas as conversas logo acabam e todos vão embora.

A bebida, inebriante do corpo (e a droga em alguns círculos) é a mola mestra da vida social, sem ela não existe vida social para muitos. Para outros a vida como um todo não tem prazer sem que todos os dias não tenham um momento de “relex” bebendo alguma coisa.

O ser humano "criou" necessidades de prazeres corpóreos e para mantê-las, outras atividades como o trabalho, eles veem somente como uma obrigação para adquirirem os proventos para custear estes hábitos criados.

A usufruição de boas comidas, frequentar bons restaurantes; o deleite de saber onde têm os melhores frutos do mar, a melhor carne, a melhor massa, ser conhecedor dos bons vinhos que acompanham todas estas iguarias é só para o deleite e o relaxar do corpo e em torno dos prazeres da vida terrena.

Também aprecio, mas chegar em casa e brincar com os cachorros também não tem preço; ver a minha esposa ralhando com eles como se fossem crianças, e eles ali a escutando também não tem preço.

Assistir um bom filme, uma bom evento esportivo, uma boa leitura, tudo é muito prazeroso; andar de bicicleta no meio da natureza, dar uma caminhada, descer e bater um papo com aquele porteiro boa praça do prédio, também não tem preço.

Sair no quintal da casa ou no pátio do prédio para curtir um ar fresco tudo é prazeroso.

Não fique esperando, que conseguindo tudo aquilo que você deseja materialmente é que vai te tornar feliz, pois não vai. Quando chegar lá vai ter outras coisas que você vai querer e assim vai, e assim vai, e assim vai...

Seja simples, adquira novamente a simplicidade no pensar e no viver, sem precisar deixar de frequentar todos estes lugares, e você vai ver que eles podem se tornar muito, mas muito mais prazerosos também, pois passam a ser só mais um dos complementos da vida.

A vida deve se tornar simples para termos alegrias genuínas como as crianças, e sermos simples não tem nada a ver com ser simplório.

E em todos os momentos da vida você se sentirá muito mais pleno, pois você vai ampliar para todos os minutos do dia o prazer de viver.

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“Da grandeza, que só provém do espirito livre, os seres humanos se privaram criminosamente, e por isso, além de imitações pueris, conseguem somente fazer ainda... máquinas, construções, técnica. Tudo como eles próprios, presos à terra, inferior, vazio e morto!”

Abdruschin em Na Luz da Verdade – A luta na natureza - www.graal.org.br
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Crónicas :  O processo criativo
O processo criativo
Não tenho um "processo criativo”... A “coisa” acontece comigo, de uma forma que eu não sei dizer. Só sei que acontece. Eu não paro, sento e digo: vou escrever uma poesia. Não olho para algo e penso em poesia... Já teve tanta coisa linda que fiquei olhando, admirando... Achei que merecia uma poesia, mas não fiz porque ELA não compareceu. Talvez eu não tenha treinamento para dominá-la ou não saiba um “ritual” para invocá-la. Mas é justamente isso que eu gosto: a surpresa. Fazer algo por “instinto”, é como exercitar o animal para farejar a presa e dominá-la, sem nenhum conhecimento de artes marciais.

O poeta Mario Quintana, no texto intitulado de Carta, diz: “Não sei como vem um poema. Às vezes uma palavra, uma frase ouvida, uma repentina imagem que me ocorre em qualquer parte, nas ocasiões mais insólitas”.**
Então se ele, Mário Quintana, não sabia, imagine eu.

** Mario Quintana. Em: Carta.
Coleção Melhores Poemas. Pag. 90
Minc FNDE – PNBE – Global Editora

A.J. Cardiais
18.07.2011
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Crónicas :  Toda regra tem exceção
Toda regra tem exceção
A propagação desses falsos pastores e bispos que se dizem “evangélicos” na mídia, só afeta os evangélicos de verdade. Porque nem todos os evangélicos pensam como eles, ou têm as mesmas ambições. Eu mesmo conheço alguns que não compactuam em nada com o que estes “midiáticos” dizem e fazem.

Existem pastores que precisam trabalhar para sustentar suas famílias. Não ganham salários da “igreja” para ficarem à disposição dos fiéis e nem "metendo" ideias nas cabeças deles. E onde eles moram, falam com todos: alcoólatras, mães de santo, gays etc. Não ficam julgando, nem condenando ninguém. Mesmo porque, Jesus disse para não julgar, para não ser julgado. Eu acho errado a pessoa que se diz cristã, ganhar um salário para pregar a palavra do Cristo. Do meu ponto de vista, isso já é um negócio, um trabalho. Não é um ato voluntário. Não é uma “entrega”. Não é um ato de amor. Ato de amor é a do pastor que se sustenta como pedreiro, ou outra profissão qualquer, e na sua hora de folga vai trabalhar para Jesus.

Teve um “dono de uma igreja” que disse, cheio de orgulho, que dos “pastores” dele, os que ganhavam menos, ganhavam R$ 2.000,00. Outra vez eu vi uma “igreja” fazendo um concurso para selecionar pastores. Onde está “o chamado”? Onde está “o escolhido”? O “chamado” deve ser o salário e os escolhidos devem ser os mais hábeis, os mais malandros, os mais ladinos... Estou falando tudo isto sem entrar na questão da política. Porque esta questão está mais de que clara que não interessa a Jesus. Isto já é uma questão de querer o Poder, de querer manipular as “Leis dos homens”. Eu já li sobre este “filme”. Chama-se “Inquisição”. E se eles conseguirem isto, vai começar a “caça às bruxas”.

A.J. Cardiais
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